Deixa o sábado me levar, sábado leeeeeva eeeeeeeu!

About Saturday, March 27th (27… mind that), this year.

O bom de não ter planos ou nada marcado é que você acaba tendo a possibilidade de fazer tudo. Hum, não sei se me expressei bem, mas o que quero dizer mesmo é que a suposta falta de ter o que fazer é, pra mim, sinônimo do seu antônimo: é aí que você tem tudo pra fazer de tudo. Vide terminho inventado por mim mesma que eu adoro: o tudo de bom “elemento-surpresa”. Ele aparece quando você menos espera e, mto provavelmente, quando acha que nada demais vai rolar naquele dia.

As meninas sabem do que estou falando… quantas vezes vocês se produziam por horas na frente do espelho, se olharam, deram aquele look fatal (de você pra você mesma), sorriam maliciosamente e falavam: “tonight’s the night” (Mr. Rod Stewart wrote this one for us, chicks)?? Aí… pasmem: voltaram pra casa de mãos e alma abanando. Agora… tudo é diferente quando a expectativa é nula e abrimos espaço pro elemento-supresa acontecer. Você sai de casa sem nem secar o cabelo e só não sai de havaianas pq, afinal de contas, um saltinho de 3cm que sejam já faz uma diferença, mas nem presta atenção nos detalhes. Cabelos molhados ao vento, sorriso na cara sem nem saber direito o pq (seria aí uma certa vidência feminina do 6º sentido que cismamos em ignorar?) e vai embora. These are the best days/nights/dawns.

Pois bem, depois de tal título + introdução, deu pra perceber que meu sábado foi a little like the described above, né? Fiz exatamente o que disse acima (desde o cabelo molhado até os 3cm de salto e “gente, por favor, qquer blusinha é blusinha”). Tinha um compromisso às 11h e saí de casa com a cara amassada ainda do sono que não me tinha sido o suficiente. Pouco depois do meio-dia, me vejo sendo guiada pela Fernando Albuquerque em direção à Augusta. Senti que um passeio comigo mesma de olhos bem abertos era o tchan do momento. What better way to do that than by foot? Estaciono o carro numa esquina da Haddock e resolvo wander around.

São Paulo é bom demais pra isso. Digo: pra propiciar elementos-surpresas. A cada esquina que passei, vivi coisas legais, diferentes, inusitadas (e, em alguns casos, as 3 coisas juntas). Minha primeira parada foi numa daquelas lojinhas “we’ve got everything you’ll never need but will buy anyway”. Seguindo a linha dos “olhos bem abertos”, acho que olhei cada item da loja. Como não sou “S” no MBTI e sim bem “N”, não precisei tocar nas coisas. Os olhos já me permitiam sentir cada coisa. Acabei fazendo exatamente o que a loja quer: comprei coisinhas (como sair empty-handed de um lugar destes??). Foram 4 imãs de geladeira (3 presentes e 1 pra mim) e 1 bloquinho pra anotar as coisas que vocês estão lendo agora. O meu imã é incrível!! É o Snoopy com cara de conteúdo sentadinho de frente pra uma máquina de escrever (gente!! sou eu lately ao me empolgar com este bendito blog! hihi).

Na esquina seguinte, recebi uma cantada tão delicada de uma moça tão bonita que confesso só ter entendido tratar-se de uma cantada uns 10mins depois ao recapitular a cena no meu delayed brain. Como sou simpática por natureza, conversei, sorri e me despedi. 1 simpática-não-do-babado + 1 esperta-sim-do-babado = 2 estranhas que jogam conversa fora numa esquina de SP e nada mais.

A 3ª esquina foi ótima e rendeu boas observações por parte dos “OBA” (Olhos Bem Abertos): MADHU!! Novo restaurante fast-food indiano que a Augusta ganhou há pouco. Augusta, não, perdão… Quem ganhou foi SP. Aliás, desculpem-me de novo: os paulistanos e todos as outras nacionalidades e seres (gente, quem não concorda que em SP habitam seres de outros planetas?) que aqui vivem. Lugarzinho simples, mas que me fez parar e ficar olhando da calçada pra foto convidativa do “vegetable biriyani”. Comia este prato a torto e à direita quando morava na Índia. Claro que sempre acompanhado de raita (hmmmm!) e adivinhem: era justamente o acompanhamento já sugerido no cardápio. Claro que entrei. Sozinha. Entendam que, por “sozinha”, neste caso não se trata de estar sem companhia. Ali estava sozinha mesmo, era a primeira e única cliente naquele horário.
Me senti o máximo! Praticamente uma Carla Bruni, ao ver todos os funcionários e o dono sorrirem como se eu fosse a real Primeira-Dama/cantora/linda/desgraçada… Anyway, fiz meu pedido e comecei a observar os clientes que vinham aparecendo na sequência: 2 casais (1 homo e 1 straight), a família doriana (que terá relato especial daqui a pouco – merecidamente), 3 amigas, 1 old guy que se sentou no balcão e 2 other loners such as myself. Depois de ver todos, chegou minha comida (acompanhada tb da minha querida samosa, a quem não resisti e pedi) e sorri. Draga que é draga sorri e bate palma quando vê sua delicious food being served. Pedi pimenta e guess what? Era pimenta de verdade (hoooot stuff!), como lá nos orientes. Fiquei high do negócio (quem me conhece sabe que eu defendo a “tese” de que pimenta/wasabi/coisas fortemente ardentes/picantes nos deixam high por 3 segundos – try it!) e saboreei a comida de olhos bem fechados. Sim, comi de olhos fechados enquanto me sentia teletransportada pra Rishikesh. Revivi sensações de lá e só me lembrava não estar na Índia quando abria os olhos e via as mulheres de camisetinhas regatas ou tomara-que-caia em vez de coloridos sáris e homens sem os típicos bigodinhos.

O bom de ter aberto os olhos nesta hora foi ver a Família Doriana: casal moderno (ele, perto dos 40, ela, around 34?) com 2 filhos lindos (1 menino de uns 4/5 anos e 1 baby com menos de 2). Casal bonito, tatuado, roupa legal e o melhor de tudo: esbanjavam felicidade sem nem precisar sorrir. Era deles. Felicidade os pertencia. Aos 4. Percebi 2 tabus idiotas da cabeça das pessoas sendo quebrados ali, em questão de 20″: 1) casais com filhos podem ser modernos e felizes, sim. Ninguém precisa ficar com cara/atitude de tio ou chatão só pq virou pai/mãe; 2) pessoas (casais, amigos, famílias) podem e devem ser mais felizes juntas do que separadas. “No man is an island”.
Como estava de olhos abertos, vi a baby lambendo o espelho do restaurante com tamanha alegria que pensei “esta aí vai dar trabalho…”.
Vi também que a camiseta do moleque era ótima. Dizia: “hay que endurecerse sin perder la FOFURA jamás”. Casal que é moderno mesmo faz filhos modernos.
Vi outra cena que me enalteceu: a mulher olhar pro distraído marido com olhos brilhando while he ordered food for the clan. Bonito.
Well, I guess the Oscar of Best Family goes to: Unknown Modern Family who ate at Madhu this Saturday! Hurray, a round of applause, ladies and gentleman! :o)

E vocês acham que minha saga das esquinas termina por aqui? Não, minha gente. Recebi o elogio “gaaaata, te adoramos” de 1 casal gay que me olhou de cima abaixo dentro de uma lojinha de CDs.
Na mesma loja, houve comunicação estranha, mas funcional com a vendedora. Eu, ao celular com a ligação-supresa do meu querido Romulê que tá virando sulista do Balneário. Ou seja, minha boca estava ocupada. Eu tentava fazer mímica e esperava que ela me respondesse no mesmo “linguajar”, mas aí que percebi que a moça insistia em FALAR comigo por estar com um braço engessado e o outro, não existir. Glup. Bom, efetuei a compra e saí com 3 cds.

Como sou adepta ao “what goes around, comes around” e acredito que sempre devemos devolver ao universo algo bom que recebemos, resolvi devolver o elogio que havia recebido do casalzinho. Estava eu no carro quando vejo uma coisa jogging, subindo a rua em direção ao meu carro (ia passar do meu lado), molhada pela chuva que caía e aí foi ação x reação. Ver algo bonito x bater palmas. Foi o que fiz. Quando o cara viu a ceninha de uma estranha batendo palma pra ele de dentro do carro, pediu pra esta que lhes escreve lower the window (ainda sem parar o corpo da corrida), sorriu, pegou na mão dela, deu um beijo e seguiu sua corrida. GENTE!! 😮 Me senti dentro do filme DON JUAN. This was, for sure, the closest I’ll ever get to Johnny Depp in my life.
Aí me dei conta que o score que era pra ter ficado even in 1×1 (ganhei um elogio e fiz outro) foi rapidinho pra 2×1 de novo. Ju saiu ganhando. Deveria jogar na loto e afins tb??

Aliás, quando entrei no carro para sair das esquinas (sim, o relato está chegando ao fim!), caiu uma chuva torrencial e eu me vi num perfect timing absurdo: 1) pq entrei no carro e não me molhei e 2) Morten Harket cantou BEM na hora “it wasn’t the rain that made the difference…”. E, galera, a chuva não fez a menor diferença mesmo pq meu good mood permaneceu intacto enquanto I drove on “singing in the rain”. :o)

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One Comment Add yours

  1. Odair Ribeiro says:

    What a great day. If I enjoyed reading, I’m sure you enjoyed living.
    By the way, I love reading your blog and this is why I am here, almost closing my eyes (it is now almost 1AM), but will not rest until I read the last line…
    Just keep doing what you’re doing while you enjoy it. You’re making people happy, I must say that at least about myself.

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