Carrefour

Detesto fazer compras de supermercado, mas cara… comida é comida e chega uma hora que esta hora do horror deve ser enfrentada. Então, naquela fatídica noite de quarta-feira resolvi, por livre e espontânea pressão da minha geladeira vazia, ir às compras. Era uma quarta qualquer e fui direto do trabalho ao Carrefour. Fica ali perto e daria pra encontrar o famoso “kit de sobrevivência” de uma pessoa há não muito tempo divorciada. Não encontraria meus pequenos luxos gastronômicos, mas daria pra quebrar o galho. Cansado, fui empurrando o carrinho quase que de maneira mecânica e pegando as coisas pela marca, sem nem sequer olhar o preço. Só certifiquei-me de pegar mais de uma unidade de tudo para não ter que voltar tão cedo.

Foi quando vi uma mulher interessante. Bonita mesmo. Gostosa até. Ela estava ali olhando os molhos de tomate. Dei uma passada de olho rápido pelos meus itens adicionados ao carrinho e vi, com certa alegria, que já tinha escolhido uns pacotinhos de massa. Pronto, só faltava o molho! Bingo. Aproximei-me com cara de dúvida, olhando profundamente para cada potinho vermelho como se fosse seus terapeutas e escutava atentamente seus segredos. Ela sorriu, olhando pra baixo (típico de quem está fazendo charme!) e isso me fez, meio satisfeito e meio cafajeste, sorrir por dentro. Ela segurou um dos potes na mão esquerda e o estendeu em minha direção, dizendo que era seu favorito. Os esmaltes vermelhos combinavam com o rótulo do produto. Externalizei o sorriso e antes de que pudesse acrescentar qualquer comentário, ela virou-se em seus calcanhares e saiu rebolando com o jeans apertado no traseiro e o carrinho à sua frente.

Fiquei ali parado com cara de paspalho, segurando o vidrinho com líquido vermelho. “Devo estar ficando velho pra isso.” foi o que constatei pra mim mesmo. Joguei o bendito no carrinho e voltei pra minha lista mental do que ainda faltava pegar. No final do outro corredor, fui abordado por um homem que me cutucou pelo ombro direito, me pedindo licença pra falar comigo. “Fudeu. A louca deve ter falado algo pro marido ensandecido. Filha da puta.” Ali atestei estar mesmo velho, pois confesso ter me cagado de medo de levar uma porrada no meio do supermercado, entre as gôndolas de farináceos e bolachas. Errei quase tudo. O sujeito, olhando-me de espreita, mas muito educado, solta: “Seguinte… fomos com a sua cara. Digo, minha mulher e eu. E, pelo que parece, você também a curtiu. Vi como a olhou. Sim, eu estava mais pra frente, te observando… Tô errado que gostou da Van?” e sorriu de lado. Eu, pasmo e sem saber o que dizer, desculpei-me. Não queria causar nenhum transtorno, respeito casais, não sabia que ela estava acompanhada e etc…, quando ele me cortou, rindo e disse: “Cara! Não sacou, não, é? Tâmo te convidando pra passar a noite com a gente.” Ufa, não ia levar porrada. Mas…HÃ?! Ali, no meio da porra da farinha, sou intimado a comer a mulher do outro?! Caí na gargalhada. Não sei se de nervoso, de excitação, de medo ou de adrenalina. Fato é que, 5 minutos depois, já estava dentro do carro do casal (sim, eles me levariam e trariam de volta) com os termos previamente acordados: eu comeria só a gostosa. Ele podia olhar o que quisesse, mas eu só transaria com a vadiazinha da mulher dele. E com estes pensamentos na cabeça, fui relaxando e deixando ser levado.

E fui levado a noite toda. Foi uma delícia. O casal era altamente experiente naquilo. Ele me deixou bem confortável e reconheceu as limitações sem precisar ser relembrado em momento algum e ela… ah, puta que pariu, que transa boa. A mulher queria mesmo era excitar o marido e eu era só um boneco, um fantoche pra ela, mas o abuso foi bem vindo pra cacete. Ela me comandou o tempo todo e eu obedeci satisfeito.

Horas depois me deram carona de volta ao estacionamento do supermercado. Confesso que fiquei um pouco envergonhado, passado todo o furor da coisa, e voltei mais quieto do que fui. Sentado no banco de trás, sentia-me um menino cuja travessura havia sido descoberta pelos pais e permanecia calado para não se afundar mais. O que me aumentava esta sensação era o fato de a Van não parar de acariciar minha perna com o braço esquerdo esticado pra trás. Despediram-se dando seus contatos e dizendo que haviam me curtido mesmo, que eu poderia ligar a qualquer hora. Agradeci pela carona e pela noite (me senti um imbecil ao escutar minhas palavras) e saí do carro.

Fui caminhando vagarosamente até o meu, um pouco anestesiado, abobado, mas também bem desperto e empolgado. Que noite nada a ver!! E nem tinha ninguém ali com quem pudesse compartilhar aquilo na hora. Me dei conta que havia deixado minhas compras todas pra trás, mas ri alto ao me dar conta que cumpri meu propósito quando vim ao Carrefour: comer!

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2 Comments Add yours

  1. Od says:

    Não vou mais ao Pão de Açucar!!! hahahaha

  2. Rafael says:

    Achei este fato bastante inusitado!! Uma situação um tanto curiosa e engraçada!!!rsrsrsrsr

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