Louca, alienada

Fui chamada de alienada. Depois, somente poucos minutos depois, de louca. A que se deve tal opinião, vocês devem estar se perguntando. Ou não, de repente concordam e nem lerão o resto do relato.

 

Isso se deveu ao fato de terem falado em alto e bom tom no meu ambiente de trabalho,como se fosse algo grandioso a ser realmente celebrado, que o filho (ou seria filha? não sei ao certo…) da Grazi e do Cauã ter nascido!

 

Olhei em volta estarrecida com o fato de nunca ter tido o mínimo conhecimento de que tínhamos uma Grazi ou um Cauã em nossa empresa. Envergonhei-me de mim. Pior! E se tivéssemos a tal Grazi e eu nunca ter sequer reparado no barrigão que ela carregou por tanto tempo pelos corredores?! Coitada! Nunca nem a parabenizei pela gravidez! Meu Deus, que insensatez. Só podia ser falta de noção, pois nunca me considerei uma sem educação!

 

Há! Animei-me! De repente não era a Grazi que fazia parte do nosso quadro de funcionários! Era o tal Cauã! Me senti novamente normal, educadinha e sensata. Homem não carrega barrigão. Não teria como eu saber que se tornaria pai, a menos que ele tivesse vindo comentar o alegre fato comigo. Como não comentou, ótimo.  Devia ser um dos funcionários com os quais não tenho muito contato, logo, ok eu não saber que o filho nascera! Não havia sido comunicado da gravidez, então porque deveria ser avisada sobre seu nascimento?!

 

Estava salva! Aliviada, respirei, saí do meu devaneio e sorri para quem deu a notícia.

 

Comentei: “que boa notícia! Mãe e filho passam bem?” e continuei: “A propósito… onde fica o Cauã para que eu possa cumprimentá-lo quando o vir? Não sei se o conheço…”.

 

A porta voz do nascimento do futuro menino Jesus me olhou com cara de ponto de interrogação. Juro. A boca formava o ponto certinho. O lado esquerdo da face se elevou na curva igual ao do símbolo.

 

Ela: “Hãããnnn?! Você está brincando, né?”

 

Eu: “Não… Quer dizer… a não ser que ele seja do tipo que não queira ser cumprimentado… se for o caso, por favor, me avise. Não quero passar constrangimento.”

 

Ela, aos risos: “Para com isso que estou até começando a acreditar em você!” (mais risos)

 

Minha vez de cara de ponto de interrogação e ombros levantados em direção as orelhas…

 

Ela viu minha cara de perdida e indagou, indignada, várias perguntas seguidas, tais como:

 

Como, ó céus, como eu não sabia quem era este casal?

 

Eu não assistia TV?

 

Eu não lia revistas na hora da manicure?

 

Era eu uma total alienada do mundo??

 

Como poderia ser?

 

O quê eu fazia quando chegava em casa?

 

Como eu passava meus fins de semana?

 

Que atividades eu fazia quando sozinha? (esta foi minha favorita! quase a interrompi, pois a vontade de responder “me masturbo” só para ver a cara dela foi grande, mas contive-me)

 

Como?!

 

Depois de tudo isso questionado, esperou respostas.

 

Sorri e disse que dava direito a uma resposta. Ela deveria escolher qual era a pergunta mais interessante para ela. Ela não escolheu nenhuma. Em vez disso, se virou de volta ao computador e, falando consigo mesma com um esboço de meio sorriso, deu a sentença: “é louca mesmo…”, balançando levemente a cabeça.

 

Eu sorri de volta e pensei: “dizem que sou louco por pensar assim / se eu sou muito louco por eu ser feliz / mas louco é quem me diz / e não é feliz, não é feliz…”

 

(baseado em fatos reais…)

 

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2 Comments Add yours

  1. Odair says:

    AMEI!!!!! Sério, amei esse post.
    Quem é esse tal de Cauã???

  2. Memordo says:

    Nem conseguiu dar os Parabéns pro Cauã….hahahaha
    Adorooo essa galera criada à leite com pêra!
    bjs.

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