Vínculo – um “descarrego”

Fui incumbida de pensar nesta palavra, no significado dela. Claro que não no significado literal, senão simplesmente recorreria ao dicionário e interpretaria, mas devo sim pensar no significado dela para mim. Até pensei em olhar mesmo no bom e velho Aurélio, mas deixei essa opção como último recurso em caso de desespero.

Então vamos ao que interessa: o quê é vínculo para mim? Desde ontem (sábado) estou matutando isso e me vi indo dormir pensando nisso, sonhando com isso e acordando com palavras soltas que me remetiam ao bendito sentimento. Como não escrevi nas horas em que pensei (isso, “pensei”, não “senti” – pelo menos não ainda), me esqueci de boa parte delas, mas também me deu a oportunidade de pensar em outras e também em novas possibilidades do que essa palavra é para mim. Daí começamos bem: “possibilidades”. Definitivamente não vinculo “vínculo” à possibilidades, nem à opções e, claro, também não à liberdade (mas voltaremos à “liberdade” depois, ela é muito complexa, afinal, quem é verdadeiramente livre, é livre até para se vincular ao que bem quiser e entender). Enfim, vejo “possibilidades” como o oposto de “obrigações”. Vejo “obrigações” com grande semelhança ao tal do vínculo – repare que não os vejo como sinônimos, há um “gap” entre eles e é este espaço que pode ajudar a entender o que é o vínculo.

Como tudo na vida, há dois lados para cada coisa e essa regra não foge às palavras. Raiva não é sentimento só ruim; se bem canalizada, pode te mover, te fazer sair da inércia e ir para a ação. Amor é bom, lindo, mas tem sua linha tênue e quase muito bem definida entre ser lindo e burro. Mas, desculpe-me, estou saindo do foco. O vínculo tem seus dois lados também: a meu ver, constrói alianças, parcerias, amizades, estadias, quem sabe até um certo sentimento de pertencer, de fazer parte. Por outro, pode congelar a singularidade, a expressão viva e única de cada um por ter que levar o outro em consideração por conta do tal vínculo. Pode fazer com que as pessoas muito “vinculadas” sejam também “entorpecidas”. Afinal, onde começa o meu e termina o seu? O vínculo traz uma imagem mental de uma corda, de algo que, por mais que tenha largo comprimento, te prende. Se é algo que te prende, retomo a velha história ali de cima da “liberdade”: só fica preso quem quer e ao que quer.

De qualquer forma, a tal corda à qual me refiro é uma boa imagem para se manter em mente, mas ela requer explicação: ela é invisível e fica celebrada entre as partes que concordaram em tê-la. Quem está de fora desta corda, não a vê. Pode até sentir, em alguns casos, mas não sabe efetivamente como ela é, como foi feita (o tipo de material influencia muito na longevidade do vínculo estabelecido….) e nem quando ela poderá ser rompida, queimada, desfeita. Assim é o vínculo para mim: um acordo feito, uma proposta aceita, uma definição de como algo pode ser cumprido, respeitado, realizado. Ele pode ter começo, meio e fim, mas todos sempre entram nele pensando no efeito duradouro do “para sempre”. E eis aí a confusão do vínculo: tem que ser pra sempre? Se sim, cadê a liberdade? Pronto, voltei pro meu sentimento dúbio e duvidoso quanto ao vínculo. Gosto dele, preciso dele, mas entro nele? E será que as pessoas estão certas?! Se for pra ter vínculo, que ele seja visto/tentado para durar para sempre, certo? Afinal de contas, qual seria a beleza e qual o poder do vínculo se fosse para ser visto como algo frágil e de fácil rompimento? Qual segurança isso traria? Para quê teríamos vínculo, se já soubéssemos que ele se romperia facilmente?

Será está a questão de hoje? De que vínculo pode também ser, numa grande dicotomia, sinônimo de segurança e oposto de liberdade?
Acho que vou dormir com isso…. Amanhã tem mais. Ou não…. Afinal, escrevi, pensei, joguei com as palavras, com o que me veio, escrevi mais, mas… será que me vinculei à tarefa?

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2 Comments Add yours

  1. Concordo que o vínculo é um assunto complexo. De fato, não é eterno, a não ser que seja espiritual. E mesmo assim, ainda poderia ficar comprometido pelo livre arbítrio.
    Então eu pensei em recorrer ao inglês e usar a palavra commitment só como provocação para você… Eu interpreto o vínculo como um elo entre duas partes, que num determinado momento faz todo sentido. É aí que entra o comprometimento das duas partes em manter essa união, esse vínculo, até prova em contrário, sem data certa para terminar. Daí então entra o papel da liberdade, pois como diz sabiamente o antigo ditado, quando um não quer, dois não brigam.
    Sei lá se eu simplifiquei ou compliquei ainda mais, só quis dar aqui a minha interpretação.
    Normalmente fica mais fácil entender o assunto fazendo uma analogia, que pelo menos para mim ajuda bastante. Tem o famoso vínculo empregatício, que é bom no momento da contratação, mas a qualquer momento uma das partes pode romper.
    Tem o vínculo do casamento, que da mesma forma é bom para as duas partes na hora da assinatura, mas nada impede que amanhã ou depois seja rescindido.
    Acho que o negócio é viver um momento a cada dia, fazendo aquilo que vc acha mais certo naquele momento, com os elementos e a interpretação que vc acha melhor naquela situação.
    Hoje de manhã mesmo eu estava conversando com um amigo sobre educação dos filhos, que é um assunto talvez ainda mais complexo que o vínculo.
    Discutimos sobre decisões que tomamos na educação e eu comentei com ele que minha consciência estava tranquila, pois todas as decisões que tomei foram as que eu achava melhores no momento que foram tomadas.
    A gente só vai saber se deu certo ou errado no futuro.
    Hoje no HSM Management houve uma palestra sobre forecast e toda uma discussão sobre a qualidade do vinho daqui a 10 ou 15 anos, comparando a opinião dos HiPPOs (Highest Paid Person’s Opinion) com a opinião de alguns geeks.
    Os HiPPOs fizeram a sua projeção com base na experiência, cheiro, paladar, etc, e os geeks fizeram com base numa imensa coleta e compilação de dados.
    Independente do resultado, cada um deles expressou a sua opinião de acordo com o que entendiam ser a melhor avaliação naquele momento, baseados nas informações disponíveis também naquele momento.
    Enfim, acabei dando uma viajada no assunto, mas acho que vale a pena para mais uma reflexão…
    Bjs!!!!

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